eLivros
06/07/2010 at 15:32 Deixe um comentário
Li dia desses que o Google queria comercializar ebooks, com o apoio das editoras independentes, que perdiam força frente às grandes lojas que vendem livros a preços de banana na internet. É interessante tentar contribuir para o fortalecimento das pequenas editoras, mas a questão é: que moda de ebook é essa que se aproxima??
Não consigo entender como alguém pode preferir um ebook a um livro normal. Mesmo com um Ipad ou um Kindle da vida deve ser desconfortável ler o livro numa tela, num arquivo de Word, ou no máximo em um PDF. Livro não precisa de bateria pra funcionar, nem incomoda com os reflexos da luz batendo nas páginas. Livro pode ser lido em qualquer lugar sem medo que alguém vá te roubar. É bem mais gostoso virar uma página do que descer o scroll da tela. Além da vantagem de armazenamento de milhares de livros num chip de 2 cm, porque a preferência por eles? Será que no futuro o ebook vai bombar a ponto de desbancar livrarias reais e jogar os livros de verdade pra escanteio? Difícil, já que estão alardeando que a internet vai acabar com o jornal de papel há anos e até hoje não vi nenhum sair de circulação. Mas caso a previsão se realize, como seria?
- As empresas de marcadores de páginas seriam as primeiras a sentir o golpe.
- As crianças abandonariam as mochilas pesadas que nos acompanhou por anos em nossa saga escolar. Bastará levar um tablet com os arquivos de todos os livros escolares, bem como um programa de editor de texto pra fazer as anotações.
- A Bienal do Livro vai reduzir drasticamente de tamanho, já que os estandes não precisaram ser grandes para suportar todos os livros que geralmente levam para vender. Bastará alguns dispositivos com bluetooth para transferir o ebook para o aparelho do cliente.
- As estantes serão móveis obsoletos, a menos que sejam usadas para decoração apenas. Isso facilitará as mudanças, já que não será mais necessário empacotar pilhas e pilhas de livros.
- A expressão “livro de cabeceira” perderá o sentido. Aliás, ninguém mais usará a palavra “livro”.
- As bibliotecas e livrarias terão que ser remodeladas. Em vez de prateleiras, computadores. Os funcionários serão substituídos por um simples CTRL+F.
- Acabaria essa história de Versão de Colecionador. Capa dura, ilustrações feitas a mão, lombada caprichada e outros requintes seriam coisas do passado.
- Sebos perderiam a razão de existir. Não existe ebook de segunda mão.
- Livros seriam peças de antiquários e, no máximo, de museus. As crianças olhariam espantadas para aquele tijolo cheio de folhas, da mesma maneira que olham hoje para uma máquina de escrever. E até a última geração de livreiros já terá se esquecido como se folheia um desse exemplar.
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